Terça-feira, Dezembro 15, 2009

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Antes de 2009, eu conhecia Neil Young como eu conheço o meu vizinho do 201. Eu sei que ele é um cara alto, calado, que gosta de surfar (isso eu deduzi pelas pranchas que eventualmente aparecem em cima do carro dele) e que nunca vai às reuniões do condomínio. Só.
Até que no começo do ano, uma amiga começou a falar dele (do Neil Young, não do meu vizinho, que fiquei claro), eu comecei a ouvir, depois teve um dia no estacionamento da Mc Donald's, onde ele me fez ouvir uma música atrás da outra e eu fui achando tudo lindo. Porém, contudo, todavia, o momento que eu considero importante de verdade, foi o dia em que eu baixei o "After the Gold Rush". Coloquei o álbum no Ipod, o Ipod na mochila e me danei pra praia. Pra encurtar a história, foi nesse dia que Neil Young deixou de ser o meu vizinho do 201 e passou a ser tipo a minha primeira paixão do colégio, de quem eu queria descobrir tudo, até qual tinha sido a última vez que o dedão do pé dele encravou.
"Mellow my mind" é a sexta música do álbum "Tonight is the night"e consegue destruir abuso, mal humor e qualquer sentimento semelhante nos primeiros 15''. E com uma letra dessa, vocês vão ter que concordar: é uma luta desleal.

"Baby mellow my mind,
Make me feel like a
schoolboy on good time,"

"Mellow my mind" arruma a cama do pensamento pras melhores lembranças descansarem.


P.S Se você entrar aqui vai saber qual foi a primeira canção que o meu parceiro nesse projeto de férias e também conhecido como meu namorado, escolheu.

Sobre Nick Hornby e o Efeito Estufa

Nick Hornby é inglês, tem 52 anos e é escritor. A partir disso, supõe-se que eu o tenha conhecido a partir de algum de seus livros. Errado. Nick Hornby entrou na minha vida através dos créditos de "Alta Fidelidade". Se você não sabe nada sobre esse filme, você: a) não sabe o que está perdendo b) pode ir no Hiper Bompreço de Olinda e comprá-lo por 16,90 c) vai no google e descobre coisas que eu não vou contar aqui, porque senão vou desviar do main topic desse texto. Nick Hornby escreveu o livro que deu origem ao filme, e foi a partir daí, que eu e ele fomos apresentados. E quando eu digo que nós fomos apresentados, eu espero que você tenha entendido o que eu quis dizer.
Primeiro, eu comprei Alta Fidelidade (vide dica b) deste texto) e meses depois, descobri ser um dos filmes preferidos de um amigo. Ele me falou mais sobre o tal escritor inglês sarcástico e bacana e me emprestou o "Alta Fidelidade" versão livro. Terminei, gostei e fui atrás de informações sobre o autor. Descobri que “Amor em Jogo” e “Um grande garoto” também tinham tido seus roteiros baseados em livros de Nick Hornby e que ele tinha um penca de outros livros. Comentei com outro amigo, que na época, era amigo e hoje é a quem eu chamo de namorado ou qualquer outro apelido que me ocorra na hora, e ele também já tinha caído nas graças do inglês (metáfora que em nada compromete a masculinidade do menino, ok?).
Então, na última semana, soube que Nick Hornby tinha escrito um livro chamado “31 Canções”, onde ele escreve sobre 31 canções (dã) que representam alguma coisa pra ele. Em uma passada na Livraria, eu consegui ler algumas partes do livro, e ficar apaixonada. O livro é super bem-acabado, layout lindinho, e eu nem preciso dizer que é bacana do começo ao fim, né? Não pude levar pra casa, porque já estourei todo o meu orçamento natalino, tendo gasto até o meu décimo quinto salário, então, eu deixei lá quietinho, e prometi que voltava pra pegar ele dentro de alguns meses.
Conversando com o namorado sobre o livro, numa tarde de calor à caminho do cinema, eu tive a idéia de aproveitar as férias e escrever sobre 31 canções. Escrever, já é uma coisa que eu adoro, e sobre música ainda mais (perceba que a maioria dos títulos dos posts desse blog, é em referência a alguma música). Então, propus o desafio pra ele também, que é mais sabido de música do que eu (a cara dele quando eu confundi “She’s like a rainbow” com “You Can't Always Get What You Want” foi ótima). Ele também tem um blog, (é só procurar na lista aí do lado o "venha até a esquina") e vai postar por lá as 31 dele, enquanto eu vou postando por aqui, as minhas 31.

Vai ser legal, porque além de me estimular a escrever mais (eu ando com a preguiça do ano 2000), ainda vai ser resultar em algo produtivo das minhas últimas férias da Universidade. Amanhã a gente começa a postar, e eu espero que o projeto não seja abandonado no meio. Ou no começo, nunca se sabe.

P.S. Se você não entendeu que esse post está incentivando você a conhecer (se já não conhece ) o Nick Hornby, eu espero que esse p.s. tenha deixado claro.
P.S.2 Eu adoro fazer p.s.
P.S.3 Ah, e o efeito estufa é a capacidade da atmosfera terrestre tem para captar e reciclar energia emitida pela superfície do planeta. Fica a dica.

Atualização: Eu devia ter postado isso ontem, e ter começado a postar as músicas hoje. Mas, devido a alguns clones de chopps e a má vontade do blogspot, eu só conseguir postar hoje. Então, se a primeira canção só começar amanhã, não me chamem de mentirosa, tá?

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Se dane o evangelho e todos os Orixás.

Por tédio, por saudade, pela vontade de sair correndo da minha pauta. Talvez pelo frio que tá fazendo hoje aqui na sala, pelo vídeo de "Duetos" no Youtube, pela quinta-feira com cara de sexta, pelo abuso do twitter, pelos dois sonhos de valsa que eu comi ou pelo Natal que já tá colocando o nariz na porta. Por ter percebido só de tarde que hoje era dia 10 de dezembro ou porque eu ouvi três vezes no mesmo dia "abandonasse o blog?".

Na verdade, acho que não é por nada disso.
Querem a verdade mesmo? Só atualizei porque vinha com medo de esquecer a senha.

P.s. Nara é que nem pastel de queijo: nunca decepciona.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Precisa dizer?

O final de semana parece pouco, a semana parece longa demais, o caminho do sono já não é um corredor cheio de pensamentos, as cervejas na calçada não fazem falta, as ressacas dos domingos muito menos, o café da manhã é coca-cola e todo lugar é lugar.
É ouvir Tim Maia e não conseguir parar, é ver o caderno roxo vazio porque escrever coisa boa não tem a mesma graça, é ver os arrependimento descendo pelo ralo, é torcer pra todos os sinais fecharem no caminho de volta, é acordar segunda, esperar pela quarta, acordar quinta, esperar pelo sábado, e assim, de repente, ver que o tempo passou, e que você nem percebeu.
Na verdade, é bem isso mesmo: não perceber.

Sábado, Outubro 10, 2009

Um passo atrás do outro, e a gente chega em algum lugar.

Eu tô aprendendo a respirar.
Devagar mesmo, inspirando, expirando, que nem Titia costumava fazer quando ainda sofria com as mil crises de asma. É importante, sabe? Assim, falar mais devagar, respirar legal, atravessar a rua sem correr, colocar a chave na fechadura de um jeito que ela possa entrar de primeira.
Eu não quero mais apressar meu irmão de manhã no banheiro, nem tirar o pão de queijo do forno antes da hora.
Também venho querendo largar a mania de deixar quatro vídeos carregando ao mesmo tempo no youtube, de jogar minhas almofadas no chão e passar a colocá-las organizadas em cima do baú. Mas isso eu já tô fazendo.
Eu também tô parando de apressar as coisas, largando essa sede doida de que o tempo passe mais rápido, mais rápido até do que o ganhador da São Silvestre, ou de qualquer outra corrida mais internacional. Eu não quero atropelar mais nada, e se possível, eu quero parar de sofrer semi-atropelamentos por bicicletas.
Eu abro os olhos todos os dias, e antes mesmo de tomar meu copo d'água sagrado e de dar um beijo na minha mãe, eu peço paciência. E repito: paciência, paciência, paciência. E eu chamo com carinho pra ela vir depressa, e depois que ela chegar, eu aviso logo: vou tratar a pão de ló, que é pra nunca mais ela querer ir embora.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

O melhor brinquedo do condomínio.

Louco pelos Beatles que era, não dividia as músicas deles com ninguém. Um dia, deitado na cama de solteiro de Maria, numa daquelas tardes de amor de lençol, ela levantou para fazer tocar o Abbey Road. Era a primeira menina da vida dele que gostava de Beatles, e quando ele descobriu isso, já era tarde demais pra terminar. Todo mundo achava loucura, mas nada lhe tirava da cabeça que gostar de meninas que não curtissem os meninos de Liverpool o deixava à vontade pra morrer ouvindo 'Something' sem pensar em nenhuma Carolina, Aline, Luana ou naquela que era a mulher mais maravilhosa do mundo calçando tênis amarelo e blusa do Smiths.
Ela procurava o cd na prateleira enquanto ele pensava em mil desculpas para sair correndo do quarto:

- Eu tô sentindo que minha casa está sendo assaltada, preciso ir embora.

- Essa é a melhor hora do dia pra colher o manjericão da minha horta caseira, preciso ir embora.

- Lembrei que tenho consulta marcada no dermatologista em dez minutos, preciso ir embora.

Lembrou que morava em apartamento, não cultivava uma horta caseira e que tinha pavor à médico. Começou a suar frio na hora que o drive do som abriu, e achou que fosse ter um troço quando ela apertou play. Mas foi bem nessa hora, que ela virou pra ele, cabelo bagunçado, a pinta do lado esquerdo do queixo, a blusa do Homem-Aranha, a pele cor de leite sem nescau, e disse:

- Olha, eu sei que você sabe a história de cada faixa, sabe todas as mensagens supostamente subliminares da foto da capa e deve saber de có um punhado de curiosidades pra me contar. Sei ainda que você tá odiando que eu coloquei esse cd, porque esses caras pra você, são que nem filho único quando ganha o melhor brinquedo do condomínio: não divide com ninguém.
Então, eu vou lhe dizer. Eu gosto dos Beatles porque quando eu tinha seis anos, eu era louca por animais do mar e meu pai organizou a festa do amigo Polvo. E todo mundo da festa ganhava uma fita com a música 'Octopus Garden' gravada. Cresci ouvindo essa música e pra mim, ela tem cheiro de brigadeiro e do perfume do meu pai. Então, eu não vou roubar os Beatles de você, porque eles já são meus primeiro, tá?

Puxou-a pra si na mesma hora em que começava 'Come Together'. E enquanto sentia o cheiro do seu shampoo, fechou os olhos e não conseguiu não pensar:

- Porra, lá se vai Octopus Garden.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Acidez numa segunda-feira.

Eu quero que você saiba que eu parei. Parei de querer saber o que você vai fazer no final de semana, parei de olhar pra você de canto de olho todas as sextas-feiras naquela rua que a gente conhece tão bem, parei de tentar ser simpática com os teus amigos, parei de pensar no dia em que eu vou te apresentar a minha coleção de dvd's e a minha parede colorida. Parei de gostar dos teus beijos na calçada, parei de te achar tão engraçado e até parei de ficar ouvindo aquela música que você me mandou outro dia.
Parei com tudo isso. E sabe por quê?
Porque eu já sei que a única coisa que eu vou ganhar de você é uma gastrite.
Entendeu? Uma gastrite. E não é aguda não.
É crônica. Crônica.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Ainda bem que eu acredito em quase tudo.

Passei na sua rua ontem.
Atravessei bem na faixa de pedestres que fica na frente do seu prédio. Tentei calcular qual daquelas eram suas janelas, mas não consegui lembrar o andar do apartamento, só sabia que a varanda dava pra rua. Coloquei os óculos escuros que você gostava, apesar de sempre andar com dois na bolsa, passei a mão no cabelo do jeito que você comentava e o sinal ficou vermelho. Andei a faixa de pedestres devagar, sempre com os pés pisando somente nas listras brancas, neurótica desse meu jeito de sempre. A avenida é grande e tem duas faixas indo no mesmo sentido. Sempre achei isso uma idéia de girico, enquanto você dizia que tinha sido uma ótima solução pra aliviar o trânsito. E sempre que você dizia isso, eu dizia que aliviar é um verbo usado de mil maneiras, menos pra falar de engarrafamento; aí você me olhava com cara de censura, e eu trocava a música fingindo que aquela cara não era pra mim.
A faixa de pedestres era grande de verdade, e comigo insistindo em andar devagar, ela ficava maior ainda. Quando eu já tava pra lá da metade, e olhei de novo pro seu prédio, na esperança de te ver na varanda, eu acho que eu devo ter parado sem perceber, porque justamente nessa hora, veio a bicicleta, as cestas de pães na bicicleta, o mocinho da bicicleta e a próxima coisa que eu vi, foi minha mão roxa, as pessoas olhando pra mim e o moço da bicicleta pedindo desculpa, moça, pelo amor do meu deus. Saí andando rápido e subi no primeiro ônibus que passou.
Acho que aquilo não foi um semi-atropelamento causado por uma bicicleta, mas sim um sinal.
Foi isso sim, um sinal.